No anseio de fazer o outro feliz, seguimos nossos instintos, muitas vezes sábios, mas, às vezes, traiçoeiros. Traiçoeiros porque temos uma certeza de algo que conhecemos anos atrás - no caso da metáfora, há 50 anos. Mas as coisas mudam e o tempo faz com que as pessoas tenham novas experiências e, por conseguinte, novos desejos. Então, o diálogo num casal é extremamente importante e deve ser uma prática cotidiana. OUVIR o outro deve ter o mesmo entusiasmo do que CONTAR àquele que compartilha sua cama todas as noites.
Nesse nosso dia-a-dia corrido acabamos por levar problemas demais para casa, alegrias de menos e o diálogo entre o casal mingua, dia após dia.
Todos dizem que para um homem ser completo, precisa de uma companheira, que lhe entenda e o tranquilize nos momentos de inquietude. E vice-versa! No entanto, às vezes, tentamos tanto admirar que esquecemos de perguntar! Sim… perguntar! O que exatamente a outra pessoa quer ou está sentindo?
Um casal de idosos comemora suas bodas de ouro após longos anos de matrimônio.
Enquanto tomavam juntos o café da manhã a esposa pensou: "Por cinqüenta anos tenho sempre sido atenciosa para com meu esposo e sempre lhe dei a parte crocante de cima do pão. Hoje desejo, finalmente, degustar eu mesma essa gostosura."
Ela espalhou manteiga na parte de cima e deu ao marido a outra metade. Ao contrário do que ela esperava, ele ficou muito satisfeito, beijou sua mão e disse: "Minha querida, tu acabas de me dar a maior alegria do dia. Por mais de cinqüenta anos eu não comi a parte de baixo do pão, que é minha preferida. Sempre pensei que eras tu que devias tê-la, já que tanto a aprecias."
Do livro: O Mercador e o Papagaio (Nossrat Peseschkian)
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